Analise - Assassins Creed O filme - Um Salto de Fé sem muita fé


Não sou nenhum cinéfilo ou alguém com um vasto conhecimento desta arte, mas reconheço que cinema e games são algo totalmente distintos e as pessoas, tanto as que fazem como as que assistem, tem de ter ao menos esta noção.

Digo isto, pois o verdadeiro desafio de se adaptar algum jogo para o cinema esta em trazer as muitas horas de gameplay para a apenas duas de telona. A história de um game, principalmente os de mundo aberto, se desenvolvem conforme progredimos, seja descobrindo locais novos ou encontrando documentos que explicam algum fato, e isto pode durar trinta, quarenta, cinquenta horas ou mais, e até se expandir a sequências, como é o caso de God of War, Gears of War, Uncharted e Assassin's Creed.

Entendam que não estou defendendo filmes como Resident Evil ou Street Fighter, estes só podem ter sido criados como ofensas aos jogadores, estou defendendo filmes como Sillent Hill que podem até ter tido problemas de adaptações mas conseguiram trazer a mesma imersão dos games. E este problema também assombrou o filme de Assassin's Creed.


Como adaptar uma história tão rica, de 8 jogos e 6 livros (fora as HQ's), em um único filme? Logicamente não há como, então pensaram em fazer uma história original, e que contou com ótimas cenas de lutas, principalmente nas que remetem a Aguilar, ancestral do protagonista Callum Lynch (ambos Michael Fassbender), pois podemos ver os assassinos andando por cima de construções, se equilibrando em cordas, utilizando do parkour e da principal arma da série, a Lâmina Oculta, todas envolvidas por uma trilha sonora de deixar qualquer um apreensivo, e de uma Espanha do séc. XV muito bem retratada com diálogos em espanhol e de figurinos que reforçaram a caracterização da época. Só não esperem ver sangue pois cortaram estas imagens para que o filme tivesse uma classificação baixa.
  
Pena que foram poucas (acho que 4), nas demais tentam resolver os questionamentos de Callum quanto a maçã do Eden (outra referência ao jogo), mas que não é suficiente para que consigamos nos importar com ele. Entendam que isto não é culpa do ator, que por sinal atuou de maneira satisfatória, mas sim de um roteiro limitado, que colocou-o em um personagem com características já batidas (raivoso e perturbado), certamente se Michael não estivesse no filme o personagem seria mais bem esquecido pelo público. E esta limitação também afetaram outros atores como Brendan Gleeson (Spoiler) e Michael K. Williams (Moussa), ambos com pouco tempo em tela, e do próprio personagem Aguilar que deve ter dito umas cinco frases no máximo. Diferente do que acontece com o Altair que conseguiu cativar o gamers com sua filosofia e senso de justiça.

Outro ponto esta na história em geral. O filme passa a sensação de que AC é apenas uma história de uma organização com pretensões de dominar o mundo (templários) e uma menor (assassinos) tentando impedir, o que não esta errado mas sabemos que é bem mais profundo que isto.

E até tentaram mostrar esta profundidade, mas é muito pouco tempo de tela para que fosse devidamente aprofundado, até colocaram menções da Bíblia, Adão e Eva, e  do Salto de Fé, onde o assassino pula de lugares muito altos sem saber onde irá cair apenas por fé, que por sinal não culpo o diretor por não conseguir passar o impacto que aquele salto representa a série, já que no próprio game já é uma coisa meio bizarra, cair em um monte de feno e sair ileso nos games é aceitável e divertido, mas o recriar igualmente no cinema será que passaria a mesma sensação? Ou seria taxado como "mentiroso"? Mas concordo que ao mesmo tempo faltou ousadia, a mesma ousadia que o fez modificar o Animus para um braço robótico em vez de um simples capacete, deu uma graça a imersão, mesmo que não sirva para nada o protagonista ficar fazendo os mesmos movimentos que acontecem em seus "sonhos". 

Em suma, AC é um filme que consegue prender o telespectador, principalmente nas cenas de Aguilar onde temos uma ótima ambientação com combates épicos, mas que peca em não conseguir passar toda a profundidade da história dos games e de colocar personagens mal elaborados por conta do pouco tempo de tela. Talvez uma hora a mais de filme resolvesse...  
 
PS: Espero ver algum dia a trilogia de Ezio Auditore nas telonas!!

Notas

Direção: 7,5/10

Roteiro: 6,5/10
Ambientação: 9,0/10

Trilha Sonora: 9,0/10

Entretenimento: 8,5/10


Resultado: 8,1/10

Curiosidades:
Em resposta do por que de terem começado a história do zero, a Pat Crowley, da equipe de criação, disse que "Essencialmente, fizemos tudo sozinhos porque queríamos ter um guia original," "É um filme que é baseado no jogo, mas não é um filme que é o jogo". O realizador Justin Kurzel também menciona que os jogos já tem muita bagagem e eles queriam oferecer algo novo.

"Foi tudo acerca de injetar uma nova personagem, que pode ter algum tipo de relação com o jogo, talvez no futuro. Foi, grosso modo, uma tentativa de encontrar uma personagem fresca. É também uma história de origem. É acerca de um homem que não percebe que é atualmente um Assassino e descobre isso, para além de descobrir habilidades e uma identidade, que faz parte de uma tribo. Esse tornou-se o foco real onde nos concentramos. Precisávamos, especialmente nos dias de hoje, de uma personagem que nos permitisse fazer isso mesmo."


Mas Crowley afirmou que não iriam fugir das regras já criadas pela Ubsoft:

"[O filme] existe dentro das regras e do mundo criado pela Ubisoft, onde Assassin's Creed pode decorrer. Nós apenas pegamos nisso e criamos uma nova [história] que respeita as regras, onde um gamer pode chegar e dizer 'Eu conheço este mundo'."
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Amante de games e animes de magia. Passou a vida travando duras batalhas em Rude Midgard tendo seu irmão monge como companheiro. Acredita que a vida seria mais bela se fosse como um MMORPG.

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